terça-feira, 13 de março de 2012

De-compor movimento

A proposta parecia simples: de-com-por  mo-vi-men-tos para a criação de uma maquininha: zootrópio.
O zootrópio é uma pequena engenhoca em que uma sequencia de imagens, fragmentos de uma ação, é colocado em movimento, produzindo um vídeo. Nada mais do que ações decompostas em imagens congeladas colocadas em movimento que dão a noção de continuidade, projetando a sequência de uma ação.

A tarefa era simples, apenas congelar uma ação qualquer: dançar, andar, bater palmas, mexer a cabeça, movimentar os braços... Capturar os instantes distintos que uma ação exige, congelar cada instante, cada fragmento.

A dificuldade apareceu rapidamente: como decompor um movimento?? O corpo não obedece, a suspensão, a pausa era um pedido de congelamento da instantaneidade!!! Como fazer isso??? Aquele corpo que parecia funcionar em blocos não conseguia separar estes blocos! Incrível!!! Tarefa muito complexa, muito elaborada... como fragmentar o que está em movimento? Como perceber os vários INSTANTÂNEOS que nos habitam? Como capturar as graduações todas? A exigência de decompor um automatismo, automatismo de corpos que são habitados por lentidões próprias... A contraditória e irônica tarefa de lentificar ainda mais, a ponto de congelar movimentos de corpos que parecem demorar pra pegar, que temos a sensação de que pegam no tranco e que, portanto, parecem estar estagnados, já previamente congelados, o que nos faz julgar como corpos em repouso, descanso, corpos passivos... Esses corpos surpreendentemente habitam velocidades, velocidades desaceleradas talvez, velocidades lentas, ou ainda descompassadas, sem encadeamento regular, enfim, corpos habitados por ritmos singulares...
Isso dá uma aflição: há muito automatismo!!!!
Mas também dá um alívio: corpos em movimento = corpos VIVOS

Nenhum comentário:

Postar um comentário