"O pássaro quando fica numa gaiola, fica se debatendo, desesperado para sair. Para que ele fique manso, não se maltrate, não fique se bicando até a morte, é preciso cobrir a gaiola com um pano branco. Ele não pode ver o lado de fora, é o único jeito dele se acalmar e sobreviver. Sobreviver confinado para um pássaro é difícil... Eu quando tinha um pássaros quando novo eu soltava todos, não aguentava deixá-los engaiolado." - essa é uma fala de uma interno de uma clínica psiquiátrica há 13 anos.
Pergunto então se a vida na clínica é muito diferente da vida dos pássaros engaiolados. Ele me responde: "Não, não, é quase a mesma coisa, é melhor não ver e não saber o que está acontecendo do lado de fora, senão fica dífícl". - afirma ele, que se diz velho pra tentar novas fugas da clínica, embora conheça todas as facilidades e rotas de fuga, seja beirando o riozinho que passa nas costas da clínica, seja saindo pela fábrica de cimentos ou pulando um muro perto do campinho...
Acrescento: "É, não deve ser fácil, mas há também nas clínicas um modo de aquietar os pacientes e mantê-los numa sobrevida... são técnicas mais apuradas, envolvendo desenvolvimento tecnológico e farmacêutico, mas o princípio é o mesmo do tecido branco: cegar, impedir a visão, subir muros, isolar...

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