acompanhá-lo é acompanhar suas graduações,
de grau em grau é que podemos sentir sua presença, sua medida;
sua ordem de grandeza é a própria pequeneza, sutil e delicada.
O mundo exige pessoas funcionais, ele é puramente estético,
sua ética se compromete com o que para o universo produtivo seria “cosmético”.
Sinto uma calibragem, uma sintonia fina que exige uma apuração de meu tato. Tocamos o mundo com as mãos, saboreamo-nos com as palavras, um diálogo dançante nos mostra a potência de criação nesse encontro.
A investigação desejada por ele é explorar materiais, extrair deles o que há de mais secreto, sensível; um verdadeiro garimpo já se iniciou na “casa do artista”. Sentimos as gramaturas e viscosidades dos papéis, selecionamos com as mãos, não com os olhos e nem com o bolso. Desligamos o automatismo do olhar que costumeiramente vai ao encontro das etiquetas, legendas e outras notas explicativas que pouco dizem sobre o produto. Não, nós não fazemos isso, apuramos o tato, calibramos as mãos e seguimos de prateleira em prateleira.
Saboreamos um café filado na própria loja. Nos emocionamos, algo nos sensibiliza ali, naquele lugar, depois daquele café, no segundo andar da loja, em meio a livros. Remeteu-me esta experiência tácita as minhas idas as feiras, aos cheiros de goiaba, misturados ao de cravo da índia e manjericão. Aquele show de cores, sensação de estar viva. Ativação do vital, que por vezes está amortizado, cego, esquecido.
Não posso fazer enfretamentos burocráticos-institucionais com ele ou por, seja ir ao hospital, delegacias ou advogados. Não quero a cura, nem o barraco, muito menos a justiça. Nos aterremos na lua, e é para isso que seria o at neste caso. Divagamos neste plano lunático derivante, em constante suspensão. Deixemos para os espirituais, justiceiros os enfrentamentos esgotantes, as brigas sem fim. Desperdício de energia nesta relação. Preocupamo-nos com a forma ou com o desejo de desenformar-nos.
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