terça-feira, 6 de setembro de 2011

Minhas Tardes com Margueritte (13.7.11)

Um filme sobre encontros. Encontros no bar com os amigos, encontros no ponto de ônibus, na praça da cidade, encontros com pombos, pessoas e palavras. Um filme sobre encontros amorosos. Amor de todo tipo, mas há um encontro singular: Margueritte e Germain.

Encontram-se numa praça todas as tardes. Margueritte sempre com livros e Germain sempre com simplicidade. A cada encontro dessa combinação somos cintilados com um novo encanto; da voz idosa de Margueritte e do imaginário de um leitor sedento, Germain, viajamos pelo universo das palavras e da fabulação.

Germain, um semi analfabeto, atrapalhado com os estudos desde criança, comete diversas gafes, suas palavras de consolo são tiros pela culatra, caçoado sempre, sendo alvo de desvalor. Mesmo assim segue, na contramão do habitual, denuncia as desfuncionalidades das coisas, especialmente de um dicionário. Indigna-se com a incompletude desse instrumento da gramática. Margueritte com paciência e suavidade vai cultivando o gosto de Germain pela literatura.
Amam-se intensamente e delicadamente. Uma ética do encontro é o que faz o filme vibrar, ativando os sentidos de quem o assiste. Um verdadeiro compromisso, um afável companheirismo se coloca, e nos lembra ou denuncia o quanto estamos amortecidos, catatônicos, sem vitalidade alguma.

Me fez lembrar do amor que é a relação terapêutica. Relação de entrega, confiança e generosidade.
Sinto um desejo de celebrar a vida, me faz lembrar do porquê faço o que faço, de quanto o meu trabalho é vital, me desloca e me ativa, me sensibiliza, trazendo à superfície o quanto a vida vale a pena ser vivida!

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